segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
“Eu não sei por que eu odeio tanto ser uma garota. Eu não sei por que eu odeio tanto ter peitos e celulites. Preferia ter barbas e ser esquelética. Aliás, eu não sei o que dá na cabeça de uma garota de 15 anos odiar ser garota e de um dia para o outro resolver que queria ter nascido menino ou que quer se transformar em um. É… Vai entender as garotas. Essa vontade de ser diferente deve vir depois de decepções, de muitas decepções. E, aliás, por que garotos e garotas são tão diferentes mesmo? Não, não digo pelo comportamento ou fisicamente, pois isso é algo definido pela natureza, eu digo pelos direitos, digo pelo modo diferente como os dois sexos são tratados. Essa parada de que meninas são delicadas, gostam de bonecas, curtem saia, esmaltes e salto alto, e daí? Eu sou garota e nem por isso saio feito uma pata e com as unhas lambrecadas de gliter e muito menos com o rosto reluzente daquela impetuosa maquiagem rosa e horrenda. E esse negócio de que garotos saem quando querem e voltam quando bem entendem? Só porque são garotos que podem pegar geral que tem seu nome preservado? E se garotas são vistas com um copo na mão ou sem os seus pais tantas da noite já são vadias? O quê tem se eu sou garota e curto tênis e boné? Se prefiro mil vezes uma roda de garotos há uma de mocinhas nojentas e indecisas sobre qual esmalte usar e qual sapato irá combinar, como se isso fizesse alguma diferença. Parabéns sociedade! O que você julga ser uma evolução na igualdade, eu julgo continuar com a mesma discriminação e a mesma caretice de 100 anos atrás.”
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